O diretor do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico de Silves confirmou hoje que existe uma fêmea em Portugal com uma doença renal, mas esclareceu que é uma patologia crónica e não infecciosa.
Rodrigo Serra disse que o problema "começou a ser detetado em novembro/dezembro" de 2009 e a causa está ainda a ser estudada, mas acrescentou que na origem pode estar “um problema tóxico, adquirido através de qualquer composto químico da comida, das vacinas ou dos suplementos alimentares e vitamínicos".
"Já descartámos quase todos os agentes infecciosos, só faltam dois, pelo que pensamos não ser uma doença infecciosa, mas sim crónica", explicou à agência Lusa Rodrigo Serra, precisando que dos 71 animais que integram o programa em Portugal e Espanha 20 já manifestaram sintomas da doença e três já morreram.
O responsável do Centro de Silves adiantou que a fêmea doente em Portugal se chama Espiga e, como "a doença só se manifesta quando 75 por cento do rim já está afetado, é provável que tenha saído de Espanha já doente".
Serra frisou ainda que há a hipótese de se tratar de "uma doença idiopática, cuja causa nunca venha a ser conhecida, uma vez que não depende de um mas de um conjunto de fatores".
O diretor do Centro de Silves disse estar em contacto com os responsáveis dos centros de Espanha para tentarem perceber o mais rapidamente possível qual é o problema que atinge "uma percentagem considerável" da população em cativeiro e que "pode afetar a reprodução, embora ainda seja cedo para aferir isso".
Os três linces que morreram cresceram em cativeiro no âmbito do plano de ação criado em 2003 para a conservação do lince.
O programa de conservação tem o objetivo de aumentar o número de felinos para poder devolvê-los à natureza. A reintrodução dos animais no seu habitat natural deverá arrancar ao longo deste ano.
Estima-se que existam 200 linces ibéricos a viver em estado selvagem, a maioria em parques naturais no sul de Espanha. No início do século XX existiriam cerca de 100 mil linces em Espanha e Portugal, segundo registos da época.
A urbanização, a caça e sobretudo uma doença que atingiu os coelhos, a principal fonte de alimentação destes felinos, provocou a quebra dramática da população de linces na Península Ibérica.
Portugal integra também o plano de ação para a conservação do lince ibérico, no âmbito do qual foi criado o Centro Nacional de Reprodução do animal em Silves. Ao abrigo deste projeto, foram transferidos em novembro e dezembro passado 16 linces de Espanha para Portugal.
























