Faro. Capital do distrito com o seu nome. A importância política desta cidade é tardia. Silves e Lagos foram os primeiros centros de poder. Com o fim da importância estratégica, económica e militar desta região, muito por culpa também do terramoto que nos assolou, soterrando um passado cheio de glórias, edifícios, vidas e histórias, para além das incursões de piratas e tropas estrangeiras, Faro foi crescendo e assumiu a sede do Bispado, transferida de Silves, no final do séc. XVI. Tornou-se o centro público e eclesiástico algarvio.
Considero que Faro garantiu o seu espaço devido à localização e de uma forma um pouco circunstancial. Actualmente, Faro vai perdendo algum protagonismo para Loulé. Infra-estruturas como o estádio do Algarve e o Hospital Central são disso exemplos. Não sei se é relevante ou se existe alternativa. Pessoalmente, pouco me importa. Loulé é Algarve. Mas sinto que não existiu uma estratégia clara para viabilizar estas infra-estruturas no perímetro do concelho, como estou certo que ocorreu em investimentos que a autarquia deixou fugir no passado, por posições de “cartilha”.
Faro é hoje uma cidade com uma zona histórica interessante, com potencial turístico, mas com uma floresta de betão em sua volta e pelo meio. Foi permitido transformar as hortas que circundavam a cidade em prédios de mau gosto e de qualidade urbanística duvidosa. Não há volta a dar. Está feito. Vivemos todos com isto, gostemos ou não. Mas também tem sido permitido destruir muitas das casas oitocentistas, importante património colectivo, transformadas em mais prédios desinteressantes, depósitos de almas. Faro merecia mais dos seus autarcas!
Mas isto tudo a propósito da Cultura? Sim. Porque não? Faro é hoje uma referência na região, pelo menos uma referência com um cartaz constante. O Teatro das Figuras e o Lethes têm sido os palcos deste fenómeno. Aplaudo. Mas Cultura é muito mais que teatro e música. É uma atitude global.
Fui neste fim-de-semana, uma vez mais, ao festival (de Cultura gastronómica, porque não?) que a VIVMAR organiza todos os anos. Desta feita, infelizmente (embora entenda os motivos) fora da Vila Adentro. Foi-se uma parte importante da mística que só o Paço Episcopal, o Seminário, a Sé velha, o restante casario e até a calçada conferiam ao evento…
(Há uns anos, não sei bem quantos, precisamente por altura deste festival, alguma sumidade camarária decidiu pintar as paredes da Sé. Os cunhais, outrora de pedra à vista, foram cobertos de tinta. Tenho esta “atravessada” na garganta e, já que escrevo sobre Cultura, aproveito para fazer a catarse. Sempre que por lá passo, não consigo deixar de abanar a cabeça… que raio de ideia foi aquela?!?!)
… Depois da tal mariscada, fui à exposição de arte com a chancela sempre importante de Serralves. Estava dividida por três espaços: a Galeria Trem, a Fábrica e o Convento da N.ª Sr.ª da Assunção. A exposição é de arte contemporânea, muito em voga desde que o Comendador Berardo conseguiu impor ao Estado Português a “sua” colecção.
Para ser honesto não gostei. Não sei em que cave a Fundação de Serralves esconde estas obras, mas tirando uma ou outra, muito boas, desconcertantes, o restante considerei medíocre. Mas enfim, é a minha opinião, e pouco avalizada, adianto. Vale o que vale. Ainda pensei deslocar-me a Loulé e a Lagos para ver o restante… mas desisti.
* Coordenador/ técnico
http://vialgarve.algarve.com/

























