A administração do emirato continuou difícil, sobretudo pelas tensões entre as várias componentes raciais presentes no território.
A posição dominante dos árabes, não era bem tolerada pelos berberes, pelo tratamento sobranceiro que lhes dispensavam. Para além disso acresciam as divisões entre os árabes, os berberes e os antigos povoadores entretanto convertidos.
Pode dizer-se que o poder na kura era limitado, pois o vali, era nomeado superiormente, os saldos de tesouraria eram remetidos para Córdova, e os da justiça, com os juízes (cadis) designados pelo estado, eram também controlados.
No caso do Algarve, um pequeno território, só interessa falar de administração nos períodos de relativa ou plena autonomia, o que corresponde às épocas de enfraquecimento do poder central.
Podemos distinguir durante a dominação muçulmana várias fases: 710-755 - Governadores dependentes de Damasco; 756-912 - Emirato independente; 912-1031 - Califado; 1090-1145 - Império Alorávida; 1130-1223 - Império Almoada. Entretanto, em Ossonoba houve alguns períodos de autonomia a começar pela que os Banu Becre mantiveram durante mais de meio século, no seguimento da revolta dos muladis (cristãos ou descendentes que na época da conquista da península renegaram a fé).
Vamos agora ocupar-nos, de personalidades que exerceram o poder em Ossonoba, um território periférico, de reduzido peso junto dos centros de decisão.
As primeiras referências aos governantes muçulmanos de Ossonoba surgem-na sequência da crise que o emirato viveu no tempo de Mohâmede I (852-886) e seus sucessores, em que o clima de bem-estar e de paz que caracterizou boa parte do do período (822-852) não resistiu ao descontentamento gerado pelas reformas de seu filho e sucessor e que motivou quatro rebeliões sucessivas dos muladis chefiados por Ibn Al- Jilliqi ou Ibn Marwan (o “Filho do Galego”).
Na revolta, Ibn Marwan (Mérida/Badajoz) estava coligado com Abdalmalique (Beja/Mértola) e Yahya ben Becre (de Ossonoba), o último dos quais iniciou a dinastia que governou a nossa zona de 875 a 931.
Becre ben Yahya, filho e sucessor de Yahya ben Becre reforçou o exército, fortificou a cidade, administrou-a com rigor e foi o primeiro governante a preocupar-se com o bem estar dos “turistas”, através de um funcionário encarregado da hospedagem e segurança dos forasteiros.




























