Ainda que Becre ben Yahya tivesse passado a residir em Silves Ossonoba con-tinuou a ser a capital, começando a ser conhecida por Santa Maria, embora as duas designações se usassem simultaneamente pois encontram-se referências a Mohâmede ben Cálide e a Al-Hazuca, “cadis de Ossonoba” que viveram nos séculos X e XI.
A rebelião dos muladis prosseguiu muito tempo, só vindo a terminar em 930, por intervenção directa de Abderramão III (912-961) que se tinha proclamado califa de Córdova (929), depois de, em 928, ter derrotado, em Bobastro, Omar ibn Hafsun, o mais destemido dos revoltosos, que desde 880 se mantinha em rebeldia nas serranias de Ronda5.
No que à nossa região diz respeito, o califa submeteu em Beja os descendentes de Abdalmalique e obrigou-os a irem viver para Córdova.
Depois desta operação Abderramão III dirigiu-se para Ossonoba, tomando pelo caminho as riquezas, provisões e armas que o governador, Caláfe ben Becre, guardava num forte da serra que, embora não esteja totalmente identificado, se crê ser o castelo de Ourique.6
No trajecto o califa recebeu emissários do senhor de Ossonoba, cumulando-o de presentes e promessas de obediência, o que, em conjunto com manifestações da população acerca das qualidades de Caláfe ben Becre, levaram Abderramão III a per-doar-lhe e a confirmá-lo no cargo, impondo-lhe, embora, um pesado imposto anual.
Oliveira Marques, que entre Becre ben Yahya e Caláfe ben Becre situa um Yah-ya (II) ben Becre, fornece-nos, para além dos Banu Becre, oito outros governadores para o período 931-942 - Mohâmede ben Qasim, Lubb ben Abdalah, Musa ben Hakam, Mohâmede ben Ahmad, Mohâmede ben Sulayman, Mohâmede ben Abdalah, Abbas ben Abdalah e Ahmad ben Mohâmede. 7
O grande esplendor que o califado alcançou durante o reinado de Abderramão III e que teve continuidade no de seu filho, Aláqueme II (961-976), começou, de certo modo, a esmorecer no tempo de Hixeme II (976-1008).
5 - Hofstatter, Hans - História Universal Co parada, Lisboa 1987, vol. V, p.115;
6 - Coelho, António Borges - Portugal na Espanha Árabe, Lisboa, 1989, p. 168;
7 - Marques, A.H. de Oliveira - op. cit., p.249;


























