Se alguém imagina que a sociedade contemporânea é mais fraterna, mais compreensiva e tolerante, que está mais humanizada e a solidariedade é real e constante está redondamente enganado, porque na maior parte dos casos é só hipocrisia.
Tudo continua em completo desequilíbrio e aqueles que acham que conseguem minimizar assimetrias bem podem “tirar o cavalinho da chuva”, porque à humildade dos puros sobrepõe-se a avareza de outros e a hipocrisia dos restantes. As pessoas são cada vez mais fingidas, astutas e matreiras, procurando apenas alimentar os seus interesses pessoais, embora pareça que estão a dar atenção aos mais carecidos. O contrário, estão é a utilizar-se das fraquezas deles para se valorizarem à sombra de siglas, partidos, movimentos, grupos, clubes, etc...
A isso chamo colonizar pessoas. Estamos perante vários casos de colonização de que posso dar exemplo, mas vou referir-me apenas a três que todos entendem perfeitamente.
Primeiro, a realização de acções de solidariedade a favor de necessitados, as quais procuram mediatização para conseguirem atingir os objectivos, são sempre (salvo raras excepções) pensadas assim: ajudar C, com a ajuda de B, para promover A. Ou seja, nada é feito desinteressada e anonimamente, porque mesmo que o preconizem há rostos visíveis ou entidades (com sigla e tudo) que estão a promover-se;
Segundo: a região do Algarve está a ser, e continua, colonizada pelo poder instalado no Terreiro do Paço... e penso que não preciso dizer mais acerca desta questão porque todos a entendem;
Terceiro: a polícia portuguesa está a ser colonizada pelos média ingleses. Não deve haver quem não saiba que as polícias - portuguesa e inglesa - estão a investigar em conjunto o desaparecimento de Madeleine McCann. Contudo, alguns “terroristas da informação” que estão ao serviço de certos tabloides britânicos continuam a rotular a polícia portuguesa de incompetente. Porquê?... A resposta é fácil.
E estes são apenas três exemplos de uma colonização transversal, que começa no berço do mais inocente recém-nascido e o persegue ao longo da vida, usando vários disfarces, desde a corrupção ao clientelismo, ou mesmo o “parasitismo” - outro modo de vida que se sustenta pela auto-vitimização ou pela conquista do estatuto do “coitadinho” onde o egoísmo e a avareza são mestres inseparáveis.
Mas, felizmente, vamos conseguindo perceber quem é quem, onde estão os Homens, quem é Solidário e Humano e quem tem Sentimentos. Dou graças a Deus por perceber isto e conseguir distinguir as diferenças que existem na nossa Sociedade, cada vez mais só e hipócrita.


























