O Estádio de São Luís vai abaixo. Escrevo antes da decisão da Assembleia Municipal de Faro – marcada para segunda-feira à noite, já fora do fecho desta edição – mas a convergência das principais forças políticas do concelho parece indicar que a demolição do histórico recinto vai ser aprovada.
O primeiro passo foi dado pelos sócios do Farense em Março, quando votaram, por unanimidade, a favor do desaparecimento do estádio que serviu o principal clube da cidade décadas a fio. Restava aos políticos a palavra final.
Naquele espaço, será construído – se tudo for aprovado – um complexo residencial e comercial (com uma área desportiva incluída), num negócio de pelo menos dez milhões de euros – uma receita suficiente para saldar o passivo do emblema.
Fica ainda o clube obrigado a construir, a expensas próprias, um campo de treinos num terreno cedido pela autarquia.
Será esta a única forma de resolver os problemas financeiros do Farense? A curto prazo, creio que sim: e é uma opção que já devia ter sido assumida há muito tempo, logo a partir do momento em que o clube se viu com a “corda na garganta”.
Neste processo, José Apolinário ganhou pontos e crédito juntos dos adeptos do clube, ao contrário do antecessor, criticado por não ter agido conforme prometera: e, recorde-se, Vitorino prometera, em 2001, “um Farense europeu”.
A preocupação dos responsáveis será obter receitas a longo prazo, para que, dentro de alguns anos, quando o Farense voltar à companhia dos “grandes” – e, não tenhamos dúvidas, o clube tem capacidade para voltar à principal liga portuguesa –, não aconteça o mesmo.
O ciclo negro por que o principal clube de Faro passou nos últimos seis anos pode ter acabado de vez segunda-feira, mas é preciso ter cuidado com futuro…



























